sábado, 16 de setembro de 2017

Acontece em uma clínica odontológica



Você escolhe uma clínica, próxima a sua casa, por indicação de amigos. É bem atendido, tem um sistema de cobrança que separa o dentista da parte financeira, tem uma excelente estrutura e profissionais capacitados para realizar o trabalho. Com 15 meses já posso relatar algumas situações concretas.

Então, você opta por um tratamento ortodôntico porque entende que é preciso um ajuste na sua arcada dentária. Ao longo do processo acontecem, as seguintes situações:

1. A profissional (vamos chamar, carinhosamente, de: P1) faz uma análise de sua arcada dentária, com raios-X e todos os exames possíveis para que se inicie o tratamento. Ela fornece duas opções ao seu cliente. O cliente escolhe a opção que mais convém financeiramente e que possa contemplar e amenizar as experiências ou traumas psicológicos de sua relação com os dentistas.

2. A profissional (P1) inicia o tratamento, com base na sua escola ortodontista. Escolhe uma linha técnica para o trabalho com o aparelho ortodôntico, alinhando arcos dentários e a mordida.

3. Após algum tempo, por uma situação inesperada, o cliente dirige-se até a clínica para ajustar o aparelho porque ocorreu um dano na sua estrutura. Casualmente, nesse dia, aparece a profissional (vamos chamar, carinhosamente, de P2). A profissional (P2) analisa o caso, chama a profissional P3 (uma terceira). Ambas, de posse de um debate técnico, indicam que o cliente deve mudar o dia e o tratamento para a profissional P2. O cliente acata a opção com naturalidade porque crê que essa é uma boa alternativa: - “Estão trabalhando para melhorar minha saúde bucal”, raciocina ele.

4. A profissional (P2) inicia uma série de ações não pensadas inicialmente pela profissional (P1). Faz o cliente investir dinheiro em tratamentos, arrancar dentes, implantar outros que, visivelmente, trazem ganhos financeiros à clínica e, quem sabe, esteticamente ao cliente.

5. A profissional (P2) em conjunto com o profissional (P5 – esse já é outro), ambos entendem que é necessário arrancar outro dente (frontal) para ajuste do aparelho. O cliente não achou interessante essa história de arrancar um dente frontal, mas, ele não possui conhecimentos técnicos, apenas, desconfia dos fatos.

6. Novamente, por uma situação inesperada, acontece que o cliente dirige-se até a clínica para ajustar o aparelho porque ocorreu um dano na sua estrutura. Por acaso, o dia que ele escolhe ir até a clínica, encontra novamente a profissional (P1). A profissional (P1) questiona que a profissional (P2) trocou o procedimento implementado por ela e também questiona que visivelmente a extração desse dente não seria bom esteticamente. O cliente começa a gostar dessa visão diferente porque concorda com essa linha de raciocínio e não marca, inicialmente, a sua extração.

7. Após um mês, ao retornar para um novo ajuste do aparelho, a profissional (P2) pergunta se o cliente já marcou a extração do dente 41 (frontal). O cliente diz que ainda não (dá uma desculpa qualquer!). Então, pressionado, marca para dia 09 de setembro (preocupado com o trabalho para que isso não afete sua produtividade ou tenha que se ausentar, logo, marca no final de semana). O consultório liga na sexta a tardinha para desmarcar porque a profissional (P6) não estará na cidade em vista do feriadão. Imagina a felicidade do cliente quando recebe a informação que não precisa arrancar um dente, em pleno final de sexta-feira!  

8. O consultório contata o cliente na outra sexta (por WhatsApp) e marca com ele a extração do dente novamente. O cliente, nervoso com a situação de ter que arrancar um dente, direciona-se até a clínica, mesmo contra a sua vontade. Aguarda 1h40min, após o horário marcado, e mesmo com a demora não se sente incomodado porque não tinha a menor vontade de arrancar o dente mesmo. Aproveitou para ler o jornal, em especial, a coluna do Agronegócio (muito boa por sinal).

9. É convidado a entrar na sala 06 e começam os preparatórios. Aff!!! Que coisa ruim esse negócio de enfiar uma agulha na sua boca. A profissional (P6) – muito atenciosa, alegre e extrovertida – comenta que todos os seus clientes, neste turno, arrancaram vários e eu seria o único que ia extrair só um dente, brinca ela. Pensei logo nas analogias com a produção em série fordista de arrancar dentes (que louco). Já com a seringa em mãos, inicia a anestesia. Faz a anestesia, pega a espátula e coloca no dente e pergunta: “Está doendo?”. O cliente diz: - “Não, que bom que não está!” – afirma com uma cara apreensiva com essa situação. Ela coloca a espátula mais uma vez e pensa... pensa novamente.

- Sabe quando você está fazendo um trabalho que está em dúvida ou em contradição com o que tem estudado ou realizado nos últimos anos? Então, parece-me que a profissional (P6) pensou nisso. Ela chamou novamente a profissional (P1 – aquela lá no início da história), conversaram e conversaram. E, eu ali, anestesiado, torcendo para que não arrancassem meu dente ainda. Eu e a assistente (A1), ficamos conversando sobre medos e anseios, sobre juízos estéticos em relação ao fato. É a única coisa que conseguimos fazer até então. No fim, por decisão técnica, o dente não foi arrancado e foi sugerida uma nova análise do caso (a terceira).

Considerações (minhas) do caso.
C.1 - Esse não é um texto para tratar dos erros profissionais, pelo contrário, é um texto para situar como você se coloca como profissional no mercado de trabalho. Você escuta seus colegas de profissão? Você segue suas únicas crenças sem ouvir ninguém? Historicamente, a filosofia tem tratado essas questões. A análise tradicional do Conhecimento envolve uma Crença Verdadeira Justificada (K: CVJ). Essa noção platônica é normativa porque pretende mostrar o que deve ser feito para alcançar o determinado fim. De certa forma, a meta epistêmica objetiva atingir a verdade e evitar o erro. Então, quem mais tem o interesse que o erro seja evitado, a não ser o próprio cliente?

C.2 – No âmbito profissional, as escolas do pensamento (sejam elas técnicas, sociais ou humanas), têm muito bem demarcadas quais as crenças que seus seguidores as praticam. Buscam consolidar essa linha de pensamento, porque, de certo modo, as internalizaram e sabem reproduzi-las fielmente. O problema aqui não é a escola de pensamento A ou B, o problema paira em você não escutar ou não estar aberto a debater as distintas escolas. Essa visão restrita ou essa alienação em relação às outras abordagens do conhecimento são preocupantes.

C.3 – E a grande questão que todos que chegaram até aqui estão curiosos. Como eu estou me sentindo no meio a tudo isso? O sentimento de hoje, por mais frustrante que alguns o possam perceber, creio (minhas crenças justificadas?) que essa indecisão sobre o meu caso é algo bom. Esse grande dilema não haveria se meu tratamento fosse realizado apenas com um único profissional, contudo, a possibilidade de erro no tratamento aumentaria substancialmente. Portanto, essas indecisões sobre o meu caso é algo que me faz acreditar que temos profissionais preocupados com o resultado que proporcionam aos seus clientes.

C.4 – Apesar dessa indecisão técnica, no mundo do trabalho onde vários profissionais estão comprometidos com o mesmo caso, pode-se pensar que essa estratégia de trabalho em equipe é algo frutífera. O trabalho em equipe fornece a oportunidade de raciocinar coletivamente em busca de uma solução, de forma mais complexa e com maior capacidade de análise ao comparar o envolvimento de apenas um único profissional. É uma escolha técnica que afeta decisivamente a saúde e o tratamento do cliente. O coletivo geralmente se sobressai ao individual.


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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Pelotas é o maior produtor de pêssego no Estado do Rio Grande do Sul




👉 Em 2015, o município de Pelotas produziu 32.800 toneladas de pêssego, sendo considerado o maior produtor de pêssego no estado do Rio Grande do Sul. Em segundo lugar, destaca-se o município de Canguçu que produziu 16.800 toneladas, seguido de Pinto Bandeira com 15.834 toneladas produzidas de pêssego em 2015, conforme dados da Fundação de Economia e Estatística (FEE DADOS).

A seguir, os dez maiores produtores de pêssego no estado do Rio Grande do Sul em 2015.
Ranking
Município – Rio Grande do Sul
Quantidade produzida (ton) – 2015
1
Pelotas
32.800
2
Canguçu
16.800
3
Pinto Bandeira
15.834
4
Farroupilha
6.423
5
Caxias do Sul
4.800
6
Morro Redondo
4.800
7
Ipê
4.650
8
Campestre da Serra
2.628
9
Cerrito
2.340
10
Antônio Prado
2.000
Fonte: Elaborado pelo autor com base na FEE DADOS – 2015.

O município de Farroupilha ocupa a quarta posição com 6.423 toneladas e os municípios de Caixas do Sul e Morro Redondo empatam em 4.800 toneladas produzidas. A quantidade produzida total no estado do Rio Grande do Sul registrou 128.924 toneladas na safra de 2015. A cultura do pêssego é uma estratégia de renda em unidades de produção familiares do estado, em especial, em regiões íngremes e com topografia declivosa. 


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Referência
FEE. FUNDAÇÃO DE ECONOMIA E ESTATÍSTICA. Agricultura – culturas permanentes – pêssego – quantidade produzida. Porto Alegre: FEE DADOS, 2015. Disponível em: . Acesso em: 07 set. 2017.