domingo, 17 de julho de 2016

Revistas de Extensão Rural em língua portuguesa para download [PDF]



A Extensão rural no Brasil foi introduzia oficialmente, a partir de 1948, com a criação das organizações de extensão rural, com o nome de Associações de Crédito e Assistência Rural – ACAR, em Minas Gerais e um projeto piloto no estado de São Paulo, com grande influência do empresário americano Nelson Rockefeller (FONSECA, 1985). Em 2010, a Lei nº. 12.188, de 11 DE Janeiro de 2010 estabeleceu Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural para a Agricultura Familiar e Reforma Agrária - PNATER e o Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e na Reforma Agrária – PRONATER. Porém, apesar do avanço histórico, ainda temos poucos especialistas e periódicos dedicados aos estudos sobre a Extensão Rural no país.

Lista de revistas de Extensão Rural

Abaixo, o índice com revistas de Extensão Rural organizadas por seu índice de qualidade (o qualis).

ISSN impresso: 1415-7802
ISSN on-line: 2318-1796
Digital Object Identifier (DOI): 10.5902/23181796
Qualis: B2


Em 1975, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), através do Departamento de Educação Agrícola e Extensão Rural (DEAER) criou um curso de Mestrado em Extensão Rural. Em 1977 foi elaborado o “Boletim Informativo do DEAER”, que abrangia uma exposição detalhada do Departamento de Educação Agrícola e Extensão Rural (DEAER) do Centro de Ciências Rurais da Universidade Federal de Santa Maria. Em 1978 surge o “Informativo do DEAER”, que objetivava satisfazer as necessidades de comunicação entre os servidores ligados a esse Departamento. A última iniciativa do Departamento denominou-se “Informativo DEAER”, publicada somente em 1986, com uma ampliação dos objetivos em relação às publicações anteriores, através da citação nominal das contribuições do Curso de Pós-Graduação em Extensão Rural. Nesse contexto, em 1993 surge a revista “Extensão Rural”, uma publicação científica do Departamento de Educação Agrícola e Extensão Rural (DEAER), agora não mais como “Informativo”, mas como Revista. Na época, a “Extensão Rural” objetivou estimular a divulgação de pesquisas, servir como meio de intercâmbio de publicação e a difusão de atividades científicas. Em 2008, O DEAER da Universidade Federal de Santa Maria passa a oferecer o primeiro curso de Doutorado em Extensão Rural do Brasil e da América Latina.
Atualmente, o periódico Extensão Rural é uma publicação científica, periodicidade trimestral, do Departamento de Educação Agrícola e Extensão Rural (DEAER) do Centro de Ciências Rurais (CCR) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) destinada à publicação de trabalhos inéditos, na forma de artigos científicos e revisões bibliográficas, relacionados às áreas: i) Desenvolvimento Rural, ii) Economia e Administração Rural, iii) Sociologia e Antropologia Rural, iv) Extensão e Comunicação Rural, v) Sustentabilidade no Espaço Rural. Tem como público alvo pesquisadores, acadêmicos e agentes de extensão rural, bem como realizar a difusão dos seus trabalhos à sociedade. São publicados textos em português, inglês ou espanhol.

A revista é gratuita, necessita fazer um cadastro para acessar todo o seu acervo.

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ISSN impresso: 2179-5320
ISSN on-line: 2359-5116
Digital Object Identifier (DOI): Não consta
Qualis: Não consta qualis nas últimas avaliações


A Revista de Extensão e Estudos Rurais é uma publicação semestral do Curso de Pós-Graduação em Extensão Rural do Departamento de Economia Rural da Universidade Federal de Viçosa. A REVER tem como propósito cobrir uma área multi e interdisciplinar de abordagens teóricas, de estratégias metodológicas e de resultados de pesquisa sobre o espaço rural como componente do desenvolvimento socio-econômico e histórico em que se encontram atores institucionais e segmentos sociais.

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Por Extenso: Boletim de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Extensão Rural
ISSN impresso: 2176-5537
ISSN on-line: Não possui
Digital Object Identifier (DOI): Não consta
Qualis: B5


Por Extenso: Boletim de Pesquisa do Programa de Pós-graduação em Extensão Rural é uma publicação anual do Departamento de Economia Rural da Universidade Federal de Viçosa. Tem por objetivo realizar a divulgação das pesquisas realizadas pelos discentes e docentes da instituição. Possui, geralmente, uma tiragem de 200 exemplares.

Somente na versão impressa.


Extensão Rural e Desenvolvimento Sustentável
ISSN impresso: 1807-2429
ISSN on-line: Não possui
Digital Object Identifier (DOI): Não consta
Qualis: Não possui

Sem informações. Não há mais edições.



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Copyright © Ezequiel Redin
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[Este post está aberto à edição. Caso conheça outras revistas de Extensão Rural, incluímos neste texto. Indique nos comentários]  

Referências
FONSECA, M. T. L. A Extensão Rural no Brasil, um projeto educativo para o capital. São Paulo: Loyola, 1985.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

NÃO TEM



O ponto de partida para rascunhar esse texto foi naquele célebre momento de contingência da vida, quando, antes de sair de casa, escuta um noticiário na televisão, segundos antes de desligar o aparelho. E aquele discurso marca você de tal forma que o deixa muito inquieto, onde seus pensamentos ficam em processo de ebulição. Então, o que você irá ler adiante, não está ignorando, em hipótese alguma, toda a evolução que o meio rural teve nas últimas décadas, como o acesso aos meios de comunicação, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), o acesso as políticas para aquisição de máquinas e implementos agrícolas e outras inúmeras melhorias que algumas regiões, com maior inserção na dinâmica do capital, estão vivenciando. Por outro lado, o que mascara toda essa situação, tem muita ligação com o que está escrito adiante. Feito essas considerações, e a minha mea culpa, vamos encarar?

Todo dia, corriqueiramente, você escuta essas afirmações nas notícias dos meios de comunicação, no ponto do ônibus, na sala de aula, no boteco da esquina, no supermercado, na rua ou em qualquer lugar que esteja com as pessoas que convive, e são assertivas ordinárias, vinculadas ao senso comum, que não nos damos mais conta do problema social. A solução para esse dilema, talvez, não esteja longe disso, na vivência e nas experimentações no e do mundo rural, local em que a dinâmica acontece, onde as situações-problemas ganham materialidade, e as soluções, sejam elas simples ou complexas, podem ou não emergirem. Dada essa reflexão, trago a tona algumas frases que recordei sobre o problema social citado.

#TopFrases

1- O resgate está difícil, pois o acidente aconteceu no meio rural e não tem estrada para chegar até o local.

2 - Caso não atender é porque estou no meio rural e não tem sinal de telefone.

3 - Não posso responder porque não tem internet no meio rural.

4 - Não envie nada para meu endereço porque o correio não tem como entregar no meio rural.

5 - Nossa loja não entrega no meio rural, pois não tem esse serviço.

6 - Não posso continuar os estudos em nível superior porque não tem "faculdade" no meio rural.

7 - Não posso ir ao evento porque não tem horários de linha de ônibus que passam no meio rural.

8 - Não vou voltar para o meio rural porque não tem garantia de renda.

9 - Não posso porque hoje não tem luz no meio rural.

10 - Não vou ficar no meio rural porque não tem futuro.

E ainda, nos se perguntamos por que as pessoas não ficam no meio rural.

A resposta, bem limitada, eu confesso é: NÃO TEM...


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[Esse post é aberto, comente abaixo o que você também acha que NÃO TEM no meio rural. Prometo acrescentar na edição deste post].

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Comer é um ato incomodativo




Comer é um ato incomodativo, assim como é este texto. O cotidiano das relações sociais, dos negócios, da vida no mundo contemporâneo está sempre, ou quase sempre, associado à comida, a alimentação, uma eminente ligação com ato gastronômico. A mística do preparo do alimento, dos instantes em que a comida é preparada, dos momentos em que ela é servida, e no âmago de sua gulosice envolvem ocasiões com efervescentes conflitos culturais. Lógica esta que se expressa no processo histórico, nas relações que os indivíduos estabelecem ao longo de gerações, acumulando saberes, temperos, gostos, sensações, sentimentos dos mais variados em relação ao ato de alimentar-se.

A comida agrega, mas a comida também separa. Ela é, por ventura, um limiar entre a amizade e o afastamento. Não, por oras, as pessoas constituem suas relações sociais por interesses comuns, econômicos ou interesses políticos. Nesse viés, a comida e a bebida são instrumentos prediletos para o aquecimento dos laços fortes, alusivos a confraternização, a comemoração por algum mérito alcançado individualmente ou coletivamente, e também o ponto de partida para o enfraquecimento social.

Você deve estar se perguntando por que estou mirando na comida como algo que segrega em vez de congregar? O argumento, que apresento aqui, sugere que existem, em certa medida, muito mais afastamentos em relação ao culto da comida do que fortalecimento social quando ela envolve relações domésticas, privadas, aquelas que constituem nosso cotidiano na afinidade alimentar. O alimento do restaurante, do bar e ademais locais gastronômicos não tem a mesma força com esta posição que defendo, porque são espaços de convívio social em que você se distancia do ato da preparação da comida. Quando nós buscamos locais públicos de alimentação é preferível esquivar-se das fragilidades que o comportamento do preparo alimentar os coloca frente a uma pessoa. Entre o tempo de preparo e o de servir-se, você emite sinais que podem ser colocados em xeque pelo outro indivíduo que o observa. Simples fatos como experimentar a comida na panela, enxugar as mãos no mesmo pano que usa para a louça ou compartilhar pratos e colheres em diferentes panelas podem sugerir uma certa fragilidade de você para o outro.

Envolvem características higiênicas que, mesmo que a conversa esteja rumando para uma boa aceitação, seus atos em relação a comida podem ser questionadas psicologicamente pelo observante. Essas ações revelam, em certa medida, alguns pontos que são questionáveis pelo outro, mas, equivale-se também verificar como essa ação é interpretada. Uma pessoa que já passou por dificuldades em relação as condições fisiológicas da escala de Maslow (restrição de comida e água) pouca importância dará para esses detalhes, bem diferente, de pessoas que nunca tiveram esta experiência e cultuam um alimento mais próximo dos padrões higiênicos e sanitários. O que vale aqui é a experiência e a percepção de mundo que a nova relação social se porta diante desse momento. Quando se opta por estabelecer um contato em espaços externos ao âmbito doméstico, essas características não podem ser observadas porque quem prepara o alimento é outra pessoa cujo contato visual não é possível. Neste momento, ao optar por uma refeição nestes ambientes externos, o cuidado restringe-se, somente, ao fato de como se comportar ao comer, evitando falar com a boca cheia ou outras atitudes questionáveis, em primeiro contato. Portanto, o argumento central é que o preparo do alimento e seu saboreio em ambientes particulares revelam muito mais da identidade, das preferências e dos costumes dos indivíduos do que em outras instâncias.

E aqui estou falando sobre comportamento e habitus alimentar. Nesse enredo, as pessoas se observam, umas as outras, tanto na forma como usam os talheres quanto na maneira como elas saciam o alimento. Norbert Elias, sociólogo alemão, certa vez foi citado na Prova PS1 – Único, do vestibular da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), com o texto sobre “Por que comemos com o garfo?”.  O texto possuía um caráter explicativo/reflexivo sobre o uso de talheres na cultura da idade média, como uma forma de descaracterização da cultura alimentar. Nobert Elias, inteligentíssimo, faz uma análise critica sobre o comportamento social sobre o ato alimentar num indício de individualidade.

Os sociólogos tem muito nos ajudado a compreender os comportamentos sociais, em especial, as individualidades, as coletividades, características eminentes que influenciaram, em certa medida, as teorias organizacionais. Em outras palavras, Nobert Elias tem tocado num assunto muito basilar da lógica alimentar, tanto no ato de sobrevivência quanto ato regramento social. Para este viés, importa destacar que o ato de alimentar-se revela características indescritíveis que até os próprios psicológicos se assustam.

Michael Pollan, ativista americano e professor de jornalismo, na sua celebre obra (umas das melhores que li até hoje sobre a alimentação), O Dilema do Onívoro, faz particularmente uma investigação no mundo das refeições partindo desde a origem do alimento. Michael sustenta no início do livro que: “Muita gente hoje parece totalmente satisfeita comendo na extremidade da cadeia alimentar industrial sem parar para pensar no assunto; provavelmente este livro não foi feito para essas pessoas. Há nele coisas que vão estragar seus apetites" (p.19). No tópico, a conquista do milho, o autor sustenta que num supermercado médio americano é possível encontrar cerca de 45 mil itens e mais um quarto deles contém milho. É um dado, sem dúvida, temível. Nossa dieta baseada apenas em milho? Ele mesmo conclui: “Portanto, é isso que nós somos: milho processado, ambulante” (p.31). Não é sobre a industrialização propriamente dita que reforço aqui, mas ao culto da alimentação e sua coesão social, o que Pollan tem descrito com muita acuidade ao longo dessa obra investigativa e, ao mesmo tempo, faz uma denúncia de saltar os olhos aos mais céticos à alimentação contemporânea.

A sociedade da alimentação tem ligações muito diretas com o mundo dos negócios, das amizades, dos relacionamentos e do convívio social em geral. A alimentação é uma construção social, e o gosto em relação ao alimento é estabelecido conforme as vivências culturais, sociais e familiares em que o sujeito experimentou ao longo da vida, já disse uma vez Pierre Bourdieu.

Uma pessoa, marcada por determinado fator cultural, em confronto com outra ordem de regramento cultural está sujeita a uma avaliação psíquica, não-verbal, sobre a conduta e pode estabelecer no seu quadro simbólico certa rejeição pelo simples fato de não aceitar, previamente, aquela conduta com o alimento. Então, o simples episódio de um indivíduo comer muito, ser guloso, é uma pessoa, inclusos os juízos de valor, que incomoda. Comer muito incomoda aos pares, não pelo fato dos prejuízos a sua saúde, mas pelo fato de que isso implicitamente mostra uma certa individualidade, uma ganância por tudo o que está em sua volta.

Uma pessoa que mina as relações, num espaço do culto a comida, pela disposição dos talheres na mesa ou se abespinha com a maneira que o outro ingere o alimento possui, com alguma dúvida, indisposição à aceitação das diferenças. O ato de comer é revelador, ele traz em nós nossas piores individualidades, assim como, nossas melhores virtudes. Comer é um ato incomodativo, mas também pode ser um ato de celebração, da construção de sinceras, harmoniosas e duradouras relações sociais. E, tenho dito, tanto na preparação do alimento quanto na sua apreciação, emergem processos simbólicos que revelam muito sobre nossa existência no mundo. 

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Referências
BOURDIEU, Pierre. Gostos de classe e estilos de vida. In: ORTIZ, Renato (Org.). Pierre Bourdieu: sociologia. São Paulo: Ática, 1983.
ELIAS, Nobert. O processo civilizador: uma história dos costumes. V. 1. Rio de janeiro: Jorge Zahar, 1994. 
POLLAN, Michael. O Dilema do onívoro: uma história de quatro refeições. Traduzido por Claúdio Figueiredo. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2007.